sexta-feira, 10 de junho de 2016

Metarmofose Humana



Uma vez, em um metrô lotado de pessoas apressadas, vi uma menina com uma boneca na mão, cabelos cacheados e um olhar triste,de mãos dadas com um pai cuja rudeza no olhar não escondia a pouca paciência com os passos lentos da filha. Puxava-a como se fosse um objeto enroscado. Sua pressa contrastava com a fragilidade da pequena.
Olhou-me em algum momento. Ensaiei alguma conversa. O metrô parou. O pai a puxou e desceram. Fiquei por algum tempo imaginando a história familiar dos dois.
A menina parecia triste. Podia ser apenas uma impressão minha. Mas ela passava-me tristeza, e ele, rudeza.
Não tinha o poder de intervir. Ali não havia crime algum a não ser a  criminosa falta de cuidado, de afeto.
Fiquei conjecturando sobre a casa que  moravam, se tinha mãe a menina. Se tinha irmãos. Se o pai era agressivo. E, se fosse, como eu haveria de saber?
Tenho essa mania, amigo, de tentar imaginar a vida dos outros. Aliás, esse é o nome de um filme alemão de 2006, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, que conta a história de um alto funcionário da Alemanha Oriental, incumbido de vigiar um dos maiores dramaturgos do país.
Aos poucos, envolvido na trama de emoções que ele e sua mulher viviam, o antes impiedoso funcionário, acostumado a 
torturar para obter uma prova, se transforma.
Um homem que não chorava passa a chorar; que não sorria passa a sorrir. A imagem foi moldando um novo conceito  em sua história. Bastou o contato com o  amor cotidiano para a metamorfose.
                           ( Fábio de Melo e Gabriel Chalita_
                                           Livro " Cartas entre Amigos ")

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